Antenado na TV

Aqui você lê colunas e comentários sobre os programas de TV, feitos por alguém fascinado por teledramaturgia e antenado no que acontece na telinha (eu!!!!). Seja bem vindo, entre e deixe sua opinião!

17

de

maio

Rodrigo Lombardi e Letícia Birkheuer: emoção e diversão no sábado

Vi duas coisas legais na TV neste sábado (16). Uma delas foi a entrevista de Rodrigo Lombardi no “TV Xuxa”.  O ator esbanjou simpatia e simplicidade no papo com a eterna rainha.  Contou que assistia ao programa e se imaginava ali um dia. Logo em seguida vibrou: “Mãe, peguei na mão da Xuxa!”, com o sorriso de uma criança grande.

Rodrigo foi às lágrimas no final da entrevista, sinceramente emocionado. Ainda não o entrevistei, mas desde “Pé na Jaca” o considero um bom ator. Ele me parece uma pessoa simples e verdadeira. Acho que não estou enganado.

Veja a entrevista:

1ª parte

2ª parte

À noite, acabei assistindo ao “Tira Onda”, do Multishow. Geralmente não consigo vê-lo inteiro, pois fica desinteressante e previsível, mas dessa vez foi diferente. Disfarçada, Letícia Birkheuer foi hostess de uma festa e garantiu quase meia hora de diversão aos telespectadores. Com uma peruca de cabelos curtos, ela ficou na porta de uma balada conferindo quem tinha o nome na lista. Nervosa, a atriz gritava, impedia as pessoas de entrarem… Depois foi para o caixa e soltou várias respostas engraçadas para os que iam pagar após a balada.

Confira um trecho:

17

de

maio

Novela relaxante!

Tenho gostado de “Paraíso”. O remake de Benedito Ruy Barbosa é perfeito para o horário. Você chega em casa cansado às 18 horas e é levado para um ambiente de sossego: mato, fazenda, vida caipira… E o bom é que desta vez não é uma novela de época, como as que costumam dominar essa faixa.

A abertura é relaxante, cavalos correndo devagar pelo Pantanal. Era uma música instrumental na primeira semana, mas foi substituida por uma sertaneja.

Nos primeiros capítulos a imagem causava estranhamento, pois era a mesma usada em “Sinhá Moça”, que deixava a trama com cara de filme, algo que não parece nacional. Agora está melhor (ou tiraram ou acostumei rs).

Vários atores estão muito bem em seus papéis. Soraya Ravenle, que exagerou no tom da perua Alaide na temporada 2007 de “Malhação”, está ótima como Zefa, que nutre um amor antigo pelo patrão Eleutério (Reginaldo Faria). Personagem esse que, aliás, Marcelo Faria fez muito bem nas cenas de flashback.

Daniel não compromete. O sotaque italiano de Bertoni (Kadu Moliterno) incomoda, não por ele, mas porque todo sotaque italianado na TV soa forçado.

Cássia Kiss arrasa como Mariana, mãe de Santinha (Nathália Dill, que conseguiu se livrar da imagem da vilã Débora de “Malhação”).  Eriberto Leão se saiu bem com os papéis que teve até agora na TV.

Se as novelas hoje nos criam cada vez menos o hábito de parar tudo para assistir, “Paraíso” é uma alternativa boa para quem está em casa e quer passar uma hora sem pensar em nada… Quem puder deixar a academia, o passeio ou as outras atividades para mais tarde, vale a pena.

Arquivado em: Novela I Comentários (0)

27

de

janeiro

Abertura muito boa

Ainda é cedo para analisar “Caminho das Índias” - tanto a história quanto o desempenho no Ibope - mas uma coisa dá para dizer: a abertura é muito bonita. Bem colorida, ágil, rica em detalhes, com uma música que combina com o ritmo em que se desenvolve. A quantidade de amarelo e vermelho lembra um pouco “Negócio da China”, outra trama que aposta nas potências emergentes…

Em breve falo um pouco sobre “Caminho”. Mas não vou enjoar de ver essa abertura todas as noites…

(Re)veja a abertura de Caminho das Índias:

Arquivado em: Novela I Comentários (0)

10

de

outubro

Nair Bello deixou saudade

Em 2007 o humor brasileiro perdeu uma atriz que por quase 3 décadas divertiu milhões de pessoas: Nair Bello. Sempre pronta para fazer rir, Nair nos deixou aos 75 anos.

A vida artística de Nair Bello Sousa Francisco começou em 1949, nas rádios Excelsior e Record (antes da chegada da TV ao Brasil), interpretando personagens em radionovelas. Em 1951, chegou aos cinemas contracenando ao lado da eterna amiga Hebe Camargo, em Liana, a Pecadora. Fez ao todo 9 filmes.

Ainda nos anos 50, foi garota-propaganda e fez participações em humorísticos e seriados na TV. No teatro só estreou em 1976, em ‘Alegro Desbum’. A aparição mais freqüente começou apenas na 2ª metade da década de 70, com Sossega Leão, da TV Tupi.

Quem pensa que o sucesso para Nair se deu apenas na Globo, se engana. A atriz caiu no gosto do povo com a série Dona Santa, em 1981, na Bandeirantes. Foram 32 episódios, reprisados várias vezes, no qual ela fazia uma atrapalhada motorista de táxi. A repercussão foi tanta que deu origem à série Casa da Irene, com Nair interpretando a dona de uma pensão (função que voltaria a viver no remake de A Viagem, em 1994, como a dona Cininha).

Foi comum durante sua carreira vê-la como a mãezona italianada sem papas na língua, pronta para distribuir chineladas e armar confusões. Desde que foi para a Globo, a maioria das novelas que participou foi do autor Carlos Lombardi. Em Perigosas Peruas (1992), arrancou gargalhadas como a mãe superprotetora dona Gema e seu bordão “O sorrr da minha praia”. Esteve em todas as tramas do autor desde então, exceto Quatro por quatro, pois havia acabado de fazer ‘A Viagem’. O texto de Lombardi casava muito bem com o estilo de Nair, arrancando gargalhadas do público com as tiradas hilárias de suas personagens em Vira-lata, Uga Uga, Kubanacan e na minissérie O Quinto dos Infernos. Em algumas contracenou com a grande amiga Lolita Rodrigues.


O quadro humorístico “Epitáfio e Santinha”, criado em 1961, na TV Record, foi reeditado na Globo no programa Zorra Total. Ao lado de Rogério Cardoso, improvisava nos textos e não conseguia conter o riso. O material ia ao ar assim mesmo. Outra participação ao lado de feras do humor foi na Escolinha do Golias, no SBT, e na sitcom Bronco, na Bandeirantes.

Uma das exigências da atriz era não beijar na boca nas produções em que trabalhou, em respeito ao ciumento marido, Irineu de Sousa Francisco, falecido em 1975. Nair teve dificuldade de superar também a perda do filho Manuel, em um acidente de carro, aos 20 anos.Buscou ajuda com o médium Chico Xavier para voltar a sorrir.

Sua última participação em novelas foi no fiasco Bang Bang (2005). Já escalada para Pé na Jaca, no dia 11 de novembro de 2006 a atriz sofreu uma parada cardiorrespiratória em um salão de beleza, em São Paulo. Ficou cinco meses internada, chegou a apresentar melhoras, mas no final de março seu quadro clínico piorou e, no dia 17 de abril de 2007, nos deixou para fazer companhia a outros comediantes.

Não dá para sentir tristeza ao pensar dela, e sim, saudade. Basta recordar qualquer momento seu na TV para um sorriso vir à tona. Obrigado, Nair.

6

de

agosto

Que reviravolta!

Como bom noveleiro, não poderia deixar de comentar a reviravolta em ‘A Favorita’. O capítulo desta terça (6) foi intenso, gostoso de assistir e surpreendente. Parecia último capítulo. Não sei se a novela vai conseguir se manter interessante até o final (muitas cartas já foram queimadas nessas cenas), embora ainda haja muito a ser explicado.

Maravilhosa foi a atuação de Patrícia Pillar e Cláudia Raia. A primeira, boazinha até então, conseguiu dar o tom certo à mudança da personagem, sem cair em estereótipos ou ficar forçada. Além do que é interessante vê-la como malvada após tantas boas moças. Cláudia transitou da vilã vingativa à mocinha injustiçada em minutos. Lembrando que  tudo aconteceu em um capítulo.

Hilária a cena em que Donatella faz Flora cantar enquanto dirige. Raia é perfeita para a comédia, embora ultimamente lhe dêem papéis de vilã.

Não tenho idéia de como o autor vai conduzir a história daqui pra frente, mas, com a morte de Salvattore, não é mais possível dizer que Flora não seja uma assassina (uma atitude ousada do autor; reviravoltas assim só acontecem muito raramente, quando um novo autor assume a história). Os flashbacks não foram contados por nenhuma das duas, o que aparentemente dão a idéia de que sejam a verdade.

Particularmente, ainda acredito que no fim seja a Donatella a assassina. Não haveria graça a Flora ter ficado presa todo esse tempo se não fosse inocente. Acho que ela vai ter uma fase revoltada, mas quando chegar perto do fim o depoimento de Cilene (se ela não for morta até lá) será crucial.

Enquanto isso, outros temas, como o homossexualismo de Orlandinho Queiróz (Iran Malfitano), e os maus tratos dos maridos às esposas - caso de Catarina (Lília Cabral) merecem ser explorados.

De qualquer forma, parabéns ao autor João Emanuel Carneiro, por ter conseguido mudar de horário e fazer uma trama diferente das que estava acostumado, mais adulta. O mesmo não aconteceu com Walcyr Carrasco, que migrou para as 19 horas mas fez uma novela com cara de 18 horas (Sete Pecados).

Arquivado em: Novela I Comentários (0)

4

de

março

Família em amigos, amigos em família

Quem disse que novela não faz pensar? No capítulo de Duas Caras do último dia 25, a personagem de Betty Faria, Bárbara, soltou uma frase que muitos devem ter concordado.

Na história, ela havia expulso o filho Heraldo (Alexandre Slaviero) de casa, por ele roubar pertences dela e da irmã dele. Daí ele foi morar com Dália (Leona Cavalli) e Bernardinho (Thiago Mendonça), trabalhar no restaurante deles. Nesse capítulo, Bárbara foi jantar no local e perguntou ao filho como estava. Ele respondeu que muito bem, que ele, Dália e Bernardinho formavam uma família. Então ela disse: "É mais fácil transformar amigos em família que família em amigos".

Constatei com uma certa tristeza que ela tem toda razão. Com os amigos nos abrimos, damos risada, convivemos harmoniosamente. Para a família é difícil compartilhar segredos, sair para se divertir, estar em paz o tempo todo. Seria o excesso de convivência que mina o bom clima que poderia perpetuar no seio familiar?

A necessidade de ter um mínimo de privacidade também nos afasta dos parentes - desculpa essa que só valeria para os que moram conosco. Mas e os outros entes? Por que não saímos, não visitamos com freqüência? Talvez porque contariam aos nossos parentes o que fizemos. Mas o que faríamos de tão "errado" eles não poderiam saber? Nossos amigos, podem?

Quem sabe o principal motivo é que os familiares nos são impostos pela vida. Já os amigos são os irmãos que a gente escolhe (e eles nos escolhem também). Isso não quer dizer que os familiares fiquem em segundo plano. Eles são nosso porto seguro, aqueles com quem mantemos vínculo até o fim de nossos dias. Nossos amigos também têm suas vidas, e em determinado momento vão deixar as nossas. Conciliar amigos e família é a saída. Como? Ah, se fosse fácil…

Arquivado em: Novela I Comentários (2)

27

de

fevereiro

Cena do BBB 8

Desde o início resisto a escrever sobre o Big Brother. Principalmente pela efemeridade dos personagens do programa. Daqui a algum tempo até eu vou ler e dizer "mas quem são, mesmo?". Mas dessa vez vou me render, não por mérito desta edição - houve anos melhores - mas porque há detalhes que quero escrever.

Esta semana, no paredão triplo, pensei que Natália fosse sair. Mas eis que segunda-feira (25) ela me aparece com uma felicidade linda, radiante, nunca demonstrada desde que entrou na casa. Em uma conversa, o líder Marcelo explica que não sente raiva dela, o que o levou a colocá-la no paredão e elogia suas qualidades: prestativa, atenciosa etc. Ela deixa fluir a meiguice de menina interiorana e diz "Aonde eu ia o senhor saía, daí eu pensava, o que eu fiz pro doutor?", com uma simplicidade raramente vista em um participante do BBB. Em seguida, os dois se abraçaram.

Acredito que a conversa tirou um enorme peso das costas dela, e o fato de ser elogiada, numa casa onde mora com estranhos e o lado emocional fica bastante vulnerável, lhe fez um bem imenso. Também quebrou um pouco do complexo de inferioridade que boa parte dos que não estudaram muito têm ao conversar com alguém com curso superior (as formas de tratamento "senhor" e " doutor" evidenciam isso). Na entrevista com Pedro Bial, na mesma noite, viu-se uma nova Natália, feliz, sorridente, revitalizada. Seria uma grande maldade estragar aquela alegria, que tanto demorou a surgir, expulsando-a da casa.

Nessa edição não sei dizer quem vai ganhar. Nenhum participante até agora demonstrou ser merecedor de R$ 1 milhão. Há 3 fórmulas que podem se repetir:

1) um gay ser o vencedor (Marcelo), assim como no BB5, com Jean;

2) uma pobre ganhar (Gyselle), como nos BBBs 4 e 6 (Cida e Mara);

3) um caipira ganhar (Rafinha). Essa fórmula já foi exaustivamente utilizada nas 3 primeiras edições, vencidas por Kléber Bambam, Rodrigo e Dhomini. Infelizmente tenho a impressão de que é a mais provável pois, apesar de extremamente falso, Rafinha se dá bem com todos, parece engraçado e é "vítima" do assédio das mulheres da casa, o que aumenta a audiência.

Particularmente, torço por Marcelo. Uma pessoa inteligente, que ouve os outros participantes e consegue sacar o que está rolando de primeira. Seu único deslize é surtar quando é votado, como quando brigou com Fernando e Thalita.  Uma atitude  kamikase para se ter no meio do jogo.

19

de

fevereiro

Anjo Mau - sucesso em qualquer década

Uma história bem contada faz sucesso em qualquer época. A novela Anjo Mau é um dos vários exemplos disso na teledramaturgia: obteve êxito em 1976, e 21 anos depois, quando foi novamente produzida.

Exibida às 19 horas, ainda em preto e branco, a versão original marcou a estréia do autor Cassiano Gabus Mendes na Rede Globo. E consagrou o talento de Susana Vieira, vivendo então sua primeira protagonista, a babá Nice.

Na história, Nice é uma jovem suburbana que não se conforma com o destino que sua condição financeira lhe reserva - casar com alguém do seu nível social e se encher de filhos para criar. Ao trabalhar como babá na mansão da família Medeiros, onde seu pai já é motorista, ela se apaixona por Rodrigo e vê a chance de mudar de vida.A partir daí, não vai medir esforços para atingir esse objetivo.

Ela descobre que Paula, a noiva de Rodrigo, o trai com o irmão dele, Ricardo, e arma um flagrante. Ele então passa a ter olhos para a babá, porém ela ainda tem de separá-lo de Léa (Lígia no remake). Paula não se conforma e transforma a vida de Nice num inferno.

Nice é filha adotiva de Alzira e Augusto. O pai a trata bem, porém Alzira parece odiá-la. No desenrolar da trama o caso é explicado. Nice é realmente filha de um relacionamento passado de Alzira. Os problemas de Nice não acabam por aí. O pai verdadeiro, um ex-presidiário, aparece e começa a chantageá-la.

Entre os grandes nomes no primeiro elenco estão José Wilker (Rodrigo), Luiz Gustavo (Ricardo), Osmar Prado (Getúlio), Renée de Vielmond (Léa), José Lewgoy (Augusto), Mário Gomes (Luis Carlos, irmão de Nice), Pepita Rodrigues (Stella) e Henriqueta Brieba (Carolina).

 Três atores participaram das duas versões: José Lewgoy, na primeira, foi Augusto, pai de Nice; na segunda, Eduardo, o patriarca da família Medeiros. Atíla Iório interpretou o verdadeiro pai de Nice duas vezes (Onias, no original; Josias, no remake). Mesmo ainda atuando em Por Amor, Susana Vieira deu o ar da graça em uma participação para lá de especial no último capítulo, como a nova babá.

Infelizmente não tive oportunidade de acompanhar a original (há apenas poucos trechos no Youtube), mas assisti a versão de 1997, que teve praticamente o mesmo número de capítulos (173/175). Discípula de Cassiano, Maria Adelaide Amaral adicionou mais personagens, trocou o nome de alguns (Getúlio virou Tadeu; Onias, Josias; e Léa, Lígia, entre outros) e deu uma linguagem adulta à novela, recheando-a de chantagens, intrigas e mentiras.

As histórias foram bem distribuídas, os núcleos interagem - o pobre freqüenta o rico e vice-versa -, no entanto poucos coadjuvantes chamam a atenção. Entre as tramas paralelas estão as falcatruas do empresário Rui Novaes (Mauro Mendonça), um retrato da corrupção no país; o auto-astral da costureira Goretti (Lilia Cabral) que, para agradar à filha Simone (Samara Felippo) mesmo amando Fred (Jackson Antunes) se casa com o rico português seo Américo, que por sua vez tem uma paixão secreta por Dona Clô (Beatriz Segall).

Assim como na versão atual de A Grande Família, o clima suburbano dos anos 70 foi mantido, no figurino e cenografia das casas de alguns núcleos, sendo um dos fatores de identificação com o público (Nice e seus vizinhos se vestiam como operários, trabalhadores, gente do povo).

Outra coisa que chamava a atenção era a amizade entre verdadeira Nice e Ricardo. Estavam sempre conversando, se ajudando, se consolando, sem conotações sexuais - o que é raro no caso de cunhados e até mesmo entre homem e mulher nos folhetins.

O casal Stella e Tadeu (Maria Padilha e Daniel Dantas) garantia momentos hilários, com as cenas de ciúme dela e as fantasias sexuais que inventavam. Entre os destaques, Alessandra Negrini, muito boa como a vilã Paula; Regina Dourado, como a dura mãe de Nice, e claro, Glória Pires, colecionando mais um bom papel para a sua carreira.

O tom policial de Anjo Mau cativou o público masculino, que até então chegava em casa e assistia ao jornal Cidade Alerta, da Record. Desde o início a audiência ficava acima dos 32 pontos de média e batia com freqüência a casa dos 40 pontos (ótimo para o horário das 18 horas). Só 7 anos depois, com Chocolate com Pimenta, esses índices começariam a se repetir.

A autora ousou mostrar cenas consideradas fortes para o horário, como a tentativa de estupro de Ricardo em Vivian (estréia de Taís Araújo na Globo, após protagonizar Xica da Silva, na Manchete). Essa cena foi cortada da reprise.

O destino de Nice mudou: em 1976, morreu no último capítulo, no parto, como ‘castigo’ pelas maldades que cometeu. Em 1997, quando tudo levava a crer que a história se repetiria, uma agradável surpresa acontece. Afinal, quem viu as duas produções diz que a Nice atual não foi um anjo tão mau para merecer ser castigada. Portanto, não seria justo matá-la, e sim dar-lhe o final feliz tão esperado pelo público.

Pelo menos 30 países acompanharam a versão atual, que retornou no Vale a Pena Ver de Novo entre 2003 e 2004, tornando-se uma das maiores audiências das reprises desta década (entre 25 e 36 pontos).

Esta é a única novela solo de Maria Adelaide Amaral, que por determinação da Globo escreve minisséries. Talvez o que falte ao horário das 18 horas, para revezar com as sucessivas tramas de época, seja uma novela ágil, envolvente e adulta como Anjo Mau. Pena que isso não acontece.

17

de

dezembro

Embarque nesse carrossel…

"Entre duendes e fadas a terra encantada espera por nós / Abra o seu coração na mesma canção, em uma só voz/ Entra, vem no picadeiro pintar essa cara com tinta e pó / Deixa a criança escondida esquecida esquecer que ela é avó/ Embarque nesse Carrossel, onde o mundo é o faz de conta, a terra é quase o céu". Durante um ano, milhões de crianças em todo o país aguardavam ansiosamente por essa música todas as noites em frente à TV. Era a novela Carrossel, um dos maiores sucessos da história do SBT.

A novela infantil mexicana, produzida pela Televisa, foi uma verdadeira febre. Quem foi criança em 1991 acompanhou atento os alunos da professora Helena na Escola Mundial. Em um horário em que os pequenos nada tinham para assistir (20 horas), a audiência do SBT foi às alturas (mais de 20 pontos), incomodando o Jornal Nacional e a tradicional novela das 8 (O Dono do Mundo). A repercussão foi tamanha que, ao vir ao Brasil, a intérprete da professora Helena, Gabriela Rivero, desceu a rampa do Congresso Nacional com o então presidente Fernando Collor.

A principal razão do sucesso foi retratar com fidelidade e simplicidade o cotidiano de crianças em idade escolar. As brincadeiras, o dia-a-dia deles era praticamente idêntico ao dos que estudavam naquele início de década. Os personagens representavam o que se podia encontrar em qualquer escola do mundo: o(a) gordinho (a), o bagunceiro, o CDF, os riquinhos, os bem pobres. Todos sob a tutela da doce professora Helena, que não se limitava a dar aula e se envolvia nos problemas dos alunos, indo à casa deles conversar com os pais. Sempre compreensiva e disposta a ajudar, era a professora que toda criança gostaria de ter.

Além disso, a história era ágil: os problemas surgiam e eram resolvidos na mesma semana (muitas vezes em dois dias). Aos sábados, era exibido um compacto da semana, com um ritmo ainda mais frenético. Cada aluno tinha seu momento de destaque, na escola ou fora dela. Os problemas enfrentados no lar eram comuns a qualquer família, como separações, maus-tratos, alcoolismo e desemprego. Impossível não se identificar.

As crianças não ligavam para as críticas dos adultos, que atentavam para o cenário e o figurino precários e a choradeira demasiada. O que elas queriam era ver na TV pessoas como elas, que passavam pelos mesmos problemas que os seus.

Para refrescar a memória, a rica Maria Joaquina Villaseñor maltratava o ingênuo Cirilo por ele ser negro. Mesmo assim, ele gostava dela e insistia em conquistá-la. Seu concorrente era o riquinho Jorge Delsalto. Freqüentemente Cirilo era humilhado pelos dois, com frases explícitas de preconceito racial ditas naturalmente, como infelizmente acontece na vida real.

O menino pobre Mário Ayala, muito maltratado pela madrasta, também recebeu destaque. Ele tinha um cachorro, Rabito, que certa vez sumiu, mobilizando seus amigos e até a professora para encontrá-lo.

A romântica Laura era vítima de piadas, por ser gorda. Os gordinhos da época eram chamados de Jaime Palillo (muitos até gostavam), um carismático garoto que o pai considerava burro. O outro gordinho da trama, Adriano, mal aparecia na versão exibida por aqui.

O loirinho David sofria com a doença da avó. Havia ainda Valéria, Daniel, os irmãos Paulo e Marcelina, entre outros, todos com um drama pelo qual passar. As cenas melodramáticas faziam o público chorar junto com os personagens. Atrelado a uma música triste, as lágrimas corriam soltas dentro e fora da tela.

Os poucos funcionários da escola que apareciam eram o porteiro Firmino e a severa diretora, Dona Oliva. Todos os dias, após a música de abertura a professora Helena fazia a chamada. Entre as cenas disponíveis na internet, está o acidente que a professora Helena sofreu na estrada. Há ainda uma entrevista imperdível (em espanhol) com parte do elenco, 15 anos depois.

 

O SBT voltou a exibir Carrossel várias vezes à tarde, mas pouquíssimas até o fim. Depois disso foi feita uma continuação (ou remake disfarçado), ‘Carrossel das Américas’ - ainda com Gabriela Rivero como a professora Helena - , e ‘Viva às Crianças - Carrossel 2′. Nenhuma, no entanto, chegou perto do sucesso da original. E agora Sílvio Santos mandou preparar a versão brasileira de Carrossel. É cedo para dizer se as crianças atuais vão gostar.

Arquivado em: Novela I Comentários (0)

1

de

novembro

Armação Ilimitada

De tempos em tempos aparecem propostas que revolucionam a linguagem e a maneira de se fazer TV no Brasil. Entre essas quebras de parâmetros está a série Armação Ilimitada, sucesso estrondoso dos anos 80, que imortalizou a dupla Juba e Lula (Kadu Moliterno e André de Biase).

O rock pesado da abertura já dava idéia do formato jovem do programa, que começou mensal e no ano seguinte, era quinzenal. De 1985 a 1988, 40 episódios foram ao ar.

Várias cenas de externa e de esportes radicais (em um mesmo episódio, por exemplo, nossos heróis praticavam surf, motocross e voavam de asa delta), ritmo de videoclipe e história em quadrinhos (balões, onomatopéias apareciam escritas na tela) e um texto ágil e dinâmico foram alguns pontos positivos do seriado.

A história era narrada pela DJ Black Boy (Nara Gil), que podia aparecer a qualquer momento, com sua rádio. O órfão Bacana, que acompanhava Juba e Lula em suas aventuras, era um capítulo à parte. O carisma do personagem de Jonas Torres permanece até hoje na memória dos fãs. A jornalista Zelda Scott (Andréa Beltrão) era o alvo do coração dos protagonistas. Ora estava com um, ora com outro, num triângulo que não se definia.

O chefe de Zelda no Correio do Crepúsculo (interpretado por Francisco Milani) levava tudo ao pé da letra e, sempre que aparecia (caracterizado como algo que acabara de ser falado), era garantia de muitas risadas. As paródias de filmes e séries, como Magnum e Rambo, também geravam momentos de diversão.

O primeiro episódio, Triângulo de Bermudas, mostra como eles conheceram o Bacana e o porquê do nome Armação. Se fosse reprisado hoje, o texto ainda seria atual. Basta ouvir uma frase de Bacana no mesmo episódio, ao pessoal do circo: “adoro vocês, mas para ir morar em Itaporã, estudar contabilidade e trabalhar numa padaria…”. A falta de perspectiva dos jovens da épica com relação ao futuro e a dificuldade de arrumar um emprego mesmo estudando permanecem até hoje.

A série foi marcante para os atores e para o público. Kadu Moliterno diz que as pessoas ainda o chamam de Juba. Andréa Beltrão conta que a personagem marcou sua carreira. Já André De Biase engordou e está distante da imagem de Lula.

A dupla pretende, 20 anos depois, levar a série para o cinema, mostrando como Juba e Lula estariam hoje. Uma estratégia arriscada (com Carga Pesada deu certo, 22 depois a série voltou a ser produzida e chegou a cinco temporadas). Será necessário um bom roteiro para não decepcionar na telona a legião de fãs que viu a série, e ao mesmo tempo conquistar uma geração que não teve oportunidade de assisti-la.

Na incerteza do lançamento do filme - e como dificilmente a Globo vai reprisar a série (chegou a passar à tarde, na Sessão Aventura, em 1990) -, é possível matar a saudade com o DVD que acaba de ser lançado, reunindo 10 episódios escolhidos pelo diretor Guel Arraes - um dos poucos responsáveis pelas novidades na TV nas últimas décadas.

Agora é aguardar para ouvir o grito (e gritar novamente): JUBA E LULA, HÔÔÔ!!!

Arquivado em: Novela I Comentários (0)
Posts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://antenado.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.